O TPB consiste em um transtorno de instabilidade e impulsividade, sendo a instabilidade refletida nos relacionamentos dos indivíduos em seus humores, comportamentos e no seu senso de self. Além disso, há o crônico e constante medo de abandono que acompanha o transtorno e atravessa o sujeito sempre.
É importante pontuar que, muito embora a maioria dos indivíduos tenha momentos ou até mesmo rompantes diante de abandono ou ocasionais instabilidades de humor, isso não necessariamente categoriza o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline; até pelo fato de que todos os transtornos de personalidade consistem em se apegar a padrões extremos de comportamento e de cognição, de forma enrijecida e crônica.
Além disso, o que diferencia TPB dos demais transtornos de personalidade é o senso único de instabilidade e labilidade emocional, em que sujeitos com este transtorno vão de bravos a tristes, a felizes em níveis extremos dentro de uma hora.
Diante de um transtorno de personalidade tão vasto, existem 9 traços os quais podem ser encontrados em uma pessoa com TPB:
- Medo de abandono - onde o abandono pode ser real ou percebido pelo sujeito, à mercê de interpretações errôneas e exageradas (“acabei de brigar com uma pessoa, então ela vai me abandonar pra sempre porque desagradei ela”). Além disso, a pessoa que espera por este abandono frequentemente se antecipa, confrontando seus pares com essa possibilidade, a ponto de, muitas vezes, ele acontecer por provocação do indivíduo, tornando verdadeiras suas profecias autorrealizáveis.
- Relacionamentos instáveis e intensos - não apenas restritos a relacionamentos românticos ou sexuais, mas a qualquer pessoa com quem o indivíduo queira ficar o tempo todo, conversando, se vendo e, no momento de um menor desentendimento, ocorrendo uma briga ou discussão extremas, seguida do desabar em tristeza e lágrimas da pessoa.
- Falta de senso de self - perturbações na identidade do sujeito, em que o indivíduo muitas vezes não sabe quem é e, portanto, é acometido por um medo de que deixará de existir a menos que se agarre a algo externo a si - como os relacionamentos. Por isso, muitas vezes, pessoas com TPB trocam de nome, mudam a aparência e há erros de diagnóstico entre TPB e Múltiplas Identidades.
- Impulsividade - presença de comportamentos perigosos ou até mesmo autodestrutivos e inconsequentes, como abuso de substâncias, sexo desprotegido com múltiplos parceiros, apostas envolvendo dinheiro, comer compulsivamente, o que pode causar comorbidades como Dependência Química, Transtornos Alimentares, dentre outras.
- Ideação e comportamentos suicidas - muitas vezes, usados como forma de “se vingar” das pessoas que, supostamente, abandonaram o sujeito e prendê-las novamente. Ou, então, como válvula de escape extrema da sensação de falta de self.
- Instabilidade de afetos e humores - mudanças intensas e extremas de humor refletidas nos relacionamentos dos indivíduos em pouco tempo.
- Sentimento crônico de vazio - sensação crônica de que não há nada dentro e que esse vazio só pode ser preenchido com fatores externos, pois este indivíduo sente que não tem o suficiente para se manter inteiro sozinho.
- Demonstrações intensas e inapropriadas de raiva - o sujeito com TPB sente suas emoções de forma demasiada, sem o filtro ou condição inibitória que lhe permitiria canalizar quaisquer sentimentos para uma resolução. Ao invés disso, demonstra raiva de forma desproporcional, externalizada e depois internalizada, pois não há nenhuma tolerância à frustração. Isso gera uma das maiores consequências para os relacionamentos dessa pessoa: aqueles que se relacionam e convivem com ela sempre se sentem pisando em ovos e com medo de agir ou falar qualquer coisa que possa desencadear um episódio de agressividade.
- Ideações paranóides induzidas por estresse transitório - a ideia, diante de circunstâncias de estresse intenso, de que pessoas próximas do indivíduo com TPB estão conspirando contra ele, querem o seu mal, vão machucá-lo ou abandoná-lo. Em outras palavras, a ideia de que a pessoa está sozinha e que todos à sua volta estão contra ela. Em situações extremas, pode haver alucinações auditivas, com vozes dizendo pensamentos e medos de forma negativa, reafirmando essas ideias para o sujeito, o que pode ser interpretado como um episódio psicótico (no qual a pessoa perdeu o senso de realidade). Nesse traço também há a presença da possibilidade de identidade dissociativa, onde a pessoa, diante dessas ideações, rompe de si mesma e começa a agir de uma forma incoerente e dissociada de quem ela é (por exemplo, se comportar como uma criança sendo que é uma pessoa adulta).