LGBT+

Reflexões sobre o mês do orgulho e as conquistas das pessoas LGBT+

O plano de fundo de lutas e direitos que devemos lembrar e manter a todo momento

Clara Ferreira Pio

Clara Ferreira Pio

Psicóloga

Ser LGBT vem junto com ser e existir de formas plenas, muito mais em contato com nossa natureza humana. Pode ser uma festa e devemos comemorar cada conquista que obtivemos ao longo da nossa luta, mas não podemos esquecer do lado prático e burocrático, pois, na sociedade em que vivemos, somos traduzidos em documentos, números de registros e condições legais para que possamos ser considerados válidos ou dignos de serviços.

Reflexões sobre o mês do orgulho e as conquistas das pessoas LGBT+

Todo mês de junho, é comemorado o Orgulho LGBTQIAP+, uma série de eventos de celebração da diversidade, de pessoas com identidades sexuais que vão além da heteronormatividade. que existem e expressam seus gêneros, seus corpos e suas vivências para além do que o Cistema prega.


Existem festas, arco-íris, purpurina, celebrações, comemorações e até mesmo a Parada LGBT de São Paulo, uma das maiores do mundo. Embora o Dia do Orgulho LGBT seja em 28 de junho, o mês inteiro é colorido, pode-se dizer.


No entanto, ao longo dos anos trabalhando com este público e sendo um membro da comunidade LGBT, percebo a alienação das pessoas em relação aos espaços que devemos ocupar e às medidas que podemos tomar para garantir que o máximo dos nossos direitos sejam mantidos.


Por sermos uma parcela da população que, muitas vezes, está à margem da sociedade, não é raro que adotemos uma forma particular de enxergar o mundo e de interagir com ele. Sobreviver é mais urgente do que fazer planos, então, em muitos contextos, focamos em medidas imediatistas e necessárias. Isso, a longo prazo, nubla nossa mente a ponto de dificultar, ou até impedir, o planejamento adequado de providências que garantirão mais qualidade de vida e bem-estar em geral.


Muitas pessoas LGBT (assim como as de outras minorias sociais) buscam famílias de escolha para suprir os vazios existenciais que as famílias biológicas lhes deixaram. Movidos pela necessidade de afeto e pela incerteza do futuro, além da dificuldade de planejar e executar ações efetivas (porém que irão resultar em efeitos a longo prazo), cria-se o cenário perfeito para impulsividade e estratégias compensatórias, de comportamentos movidos pelo viés do prazer.


Porém, podemos aproveitar momentos como os espaços de junho para refletir sobre práticas legais e efetivas que podem acontecer, além de promover diálogos sobre os cuidados que as pessoas e as relações dentro das dinâmicas LGBT podem adotar.


Um exemplo disso seria realizar acompanhamentos com médicos periódicos para verificar se nossos corpos estão saudáveis, além de tentar comer da melhor forma possível e evitar o uso de álcool e outras drogas.


Outra forma de fazer isso é dar uma olhada na distribuição de poder das relações das quais participamos. O fenômeno da família de escolha é essencial para o processo de cura, não apenas individual, mas também social. No entanto, não basta apenas estarmos com as pessoas em momentos de lazer. Precisamos tomar responsabilidade pelos outros e pelo nosso lugar nas relações. Exemplos práticos para isso podem incluir ajudar nas compras de mercado da residência que vocês dividem ou compartilham, comprar o remédio para a infecção de ouvido do filho do/a/e parceiro/a/e ou até cadastrar a pessoa como sua dependente para que ela tenha acesso ao seu plano de saúde.


Ser LGBT vem junto com ser e existir de formas plenas, muito mais em contato com nossa natureza humana. Pode ser uma festa e devemos comemorar cada conquista que obtivemos ao longo da nossa luta, mas não podemos esquecer do lado prático e burocrático, pois, na sociedade em que vivemos, somos traduzidos em documentos, números de registros e condições legais para que possamos ser considerados válidos ou dignos de serviços.

Clara Ferreira Pio

Sobre a autora

Clara Ferreira Pio Sou Clara Ferreira Pio, psicóloga e neuropsicóloga, dedicada a ajudar pessoas a se tornarem protagonistas de suas próprias vidas.

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