O fato de pessoas LGBT sofrerem preconceito não é novidade. É sabido que muitas pessoas pertencentes a esta parcela da população sofrem discriminações e violências ao longo de suas vidas devido ao fato de possuírem uma identidade que foge da cisheteronormatividade.
No entanto, ao analisarmos mais de perto os atravessamentos e as vivências das “letras” pertencentes a essa comunidade, notamos que há elementos quase exclusivos aos subconjuntos das pessoas desta porção demográfica.
E, junto com tais elementos, existem também a própria bagagem adquirida por meio da sociedade e os preconceitos mais ou menos acentuados para com esses indivíduos.
A realidade para um homem cis branco gay de classe média é diferente da realidade de uma travesti negra da periferia. Embora ambos sejam pessoas LGBT, suas vidas e identidades são pautadas para além destas vivências e, quando combinadas com outros atravessamentos sociais - cor de pele, classe social, níveis de escolaridade, condições de saúde, etc. - são lidas como pessoas cuja característica da sexualidade pode ser mais ou menos evidenciada. Alguns privilégios suavizam opressões, mesmo que não as apaguem. Experiências LGBT não são um monolito e há muita diversidade dentro da diversidade, apesar de conflitos similares também serem comuns.
Entender esse fenômeno é importante não apenas por questões de empatia e conexão genuína, até porque devemos ter isso com todos os seres humanos, independentemente de suas características individuais. No entanto, para entendermos verdadeiramente os outros, junto com seu caminhar, a empatia deve ser a linha de partida, não a de chegada.
Neste caso dos atravessamentos dos bastidores da população LGBT, é importante, ainda mais em pleno mês do orgulho LGBT, que sejam feitas as reflexões sobre o tipo de representatividade que temos na mídia, no mercado de trabalho, formal e informal, nos meios de comunicação e na vida real. Que lugares ocupamos na historia, no imaginário e no mundo real? Qual é a imagem que tem sido formada acerca das pessoas LGBT, por intermédio dos lugares que nos permitiram ocupar e dos que conquistamos ao nos rebelar contra os lugares nos quais queriam nos prender?
A melhor forma de nos tornarmos uma sociedade integrada e verdadeiramente diversa é entender que somos seres plásticos e dinâmicos, com bagagens de vida diferentes e que as situações, nossos aspectos genéticos e psicológicos nos moldam tanto quanto os contextos que ocupamos.