As informações a seguir se referem à variação do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, sendo esta o TEPT-Complexo. Elas são descritas de forma a ajudar o paciente a entender melhor sua condição, seus sintomas e, mais importante, o direcionamento a ser tomado uma vez que este transtorno for identificado:
Tanto TEPT quanto TEPT-C são mais do que ansiedade. As pessoas também podem sentir vergonha, raiva e até culpa por uma situação traumática, como um acidente de carro, um desastre natural ou até mesmo um abuso sexual. A qualidade e o peso de tais acontecimentos são diferentes de situações, onde alguém tenha que lidar com um chefe gritando ou ser repreendido pelos pais. Embora essas situações sejam frustrantes e estressoras, não se qualificam como traumas.
Há 4 grupos de sintomas:
- Intrusivos: pensamentos, sonhos e pesadelos sobre as memórias do trauma, os quais aparecem sem que se tenha controle e são recorrentes ao longo do cotidiano;
- Evitação: comportamentos onde se age intencionalmente para evitar a mesma situação ou elementos que lembrem o trauma;
- Pensamentos negativos: pensamentos e até mesmo sentimentos e mudanças de humor que são associados ao trauma. Um exemplo seria a pessoa pensar e ter consigo a ideia de que ela não vai viver muito tempo, embora não saiba o porquê; e
- Hiperreatividade: quando o indivíduo desenvolve padrões de pensamento e comportamento para se prevenir do trauma, mas de forma imatura. Nesse grupo, estão as explosões de raiva e agressividade (para si mesmo ou para outras pessoas), dificuldades para dormir e para seguir padrões pré-estabelecidos.
O TEPT-Complexo, por sua vez, não se qualifica como um diagnóstico próprio dentro da Classificação Internacional das Doenças ou do Manual de Doenças Mentais. Ele, na verdade, é visto como um construto usado para explicar formas particulares de manifestação de sintomas atrelados ao trauma.
Os traumas, neste construto, começam na infância ou adolescência e são recorrentes. Como é parte dos anos de desenvolvimento do indivíduo, o trauma se torna componente da personalidade, fazendo com que o self da pessoa (sua noção de si mesma, sua autoimagem, seus conceitos sobre si) seja limitado e fragmentado.
Assim, as manifestações deste self fragmentado repercutem na dificuldade de fazer e manter relacionamentos, nas mudanças repentinas de humor, problemas de controle de raiva e baixa autoestima. Até mesmo pode-se desenvolver comorbidades, como depressão e ansiedade, não como transtornos, mas como sintomas de resposta ao trauma. Como tratamento, uma das orientações que os profissionais da área utilizam é o uso de medicação.
A despeito dos sintomas diversos e possíveis ramificações, o TEPT-C possui tratamento, parte dele sendo o uso de medicação, que deve ser prescrita e utilizada de acordo com as orientações de um profissional especializado.