TCC

O que representa ser adulto

O papel de assumir as responsabilidades e o que há por trás disso

Clara Ferreira Pio

Clara Ferreira Pio

Psicóloga

O caminho da vida adulta, com todas as suas dificuldades, precisa ser percorrido por nós mesmos, pois apenas tomando à frente da nossa vida que seremos capazes de nos fortalecer e evoluir enquanto indivíduos e sociedade.

O que representa ser adulto

Conversamos anteriormente sobre a importância de termos qualidade de vida enquanto adultos, tomando à frente das nossas escolhas e com a procura genuína de afetos e de espaços seguros que possamos ter. 


É indiscutível a necessidade que possuímos de ternura e carinho ao longo da vida, mesmo enquanto adultos. E foi falado neste blog que hobbies que os indivíduos praticam além do trabalho e de suas obrigações podem compor ambientes de convivência que fomentam afetos positivos como pertencimento e senso de comunidade, além de estreitar vínculos e trazer a sensação de reparação pelo que faltou aos sujeitos em suas fases passadas do desenvolvimento.


No entanto, é necessário também abordar o fato de que esta ideia pode passar a falsa noção de que se trata de uma relação causa-efeito quando estamos diante de problemas para resolver. Ou seja, pode-se criar a ilusão de que, uma vez seguros em lugares reparadores e na companhia dos nossos relacionamentos por escolha, esses contextos devam nos ajudar a resolver os problemas sozinhos. Neste caso, é essencial que seja desmentida tal distorção, pois somos responsáveis pela resolução dos problemas e pelas consequências de nossas ações.


É vital que nos apoderemos das nossas responsabilidades e tomadas de decisão, especialmente enquanto adultos, pois é nesta época da vida em que temos o máximo possível de dispositivos para nos auxiliar tanto a resolver os problemas quanto a fazê-lo de forma mais condizente com quem somos e mais próxima dos nossos valores.


Não resolvemos os problemas apenas para nos livrarmos deles. Da mesma forma que não assumimos responsabilidades e estabelecemos limites simplesmente porque nos é exigido. Nós honramos e cumprimos compromissos porque é dessa maneira que adquirimos experiência, nos fortalecemos e  aprendemos de forma genuína diante da vida e de seus desafios.


Ao transferirmos responsabilidades que são de nossa alçada  ao outro, mesmo que de forma indireta, criamos um lapso em que esta terceira pessoa, que não está inserida em nosso contexto e na situação propriamente dita, não só não vai conseguir resolver da forma necessária, pois a pessoa vai trabalhar com informações faltantes, como vai gerar a todos os envolvidos interpretações errôneas sobre as situações e os comportamentos, pois os resultados serão diferentes do que os idealizados.


O equilíbrio em nossa vida é fundamental para uma percepção assertiva e coesa da realidade. Não transferir responsabilidades não significa não pedir ajuda quando necessário, mas há uma diferença crucial entre auxiliar, dar apoio, suporte, orientação e até mesmo acolhimento e tomar à frente do problema e resolvê-lo pensando no bem-estar independentemente de quais barreiras sejam violadas.


A bondade, sem o estabelecimento de limites, é apenas um convite a violações.


Clara Ferreira Pio

Sobre a autora

Clara Ferreira Pio Sou Clara Ferreira Pio, psicóloga e neuropsicóloga, dedicada a ajudar pessoas a se tornarem protagonistas de suas próprias vidas.

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